quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Entrevista a Site da África, EisFluências


 

 

                                          ENTREVISTA – Site da África - EisFluências

 

SILAS CORREA LEITE – www.portas-lapsos.zip.net


-Professor, Especialista em Educação, Conselheiro diplomado em Direitos Humanos, Jornalista Comunitário, escritor premiado em verso e prosa, membro da UBE-União Brasileira de Escritores, autor entre outros de Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos prenmiados.

ENTREVISTA

1-Na infância qual foi o seu primeiro contacto marcante com a escrita?

-Meu pai, Maestro Antenor Correa Leite, já falecido, hoje nome de rua em Itararé, era compositor sacro, maestro, regente, arrajador, músico e fundador de corais e bandas em Itararé e região do Paraná, e lia, tinha programa de rádio, regia corais e bandas, artista talentoso, e nos obrigava a ler, como também nos dava de castigo, a mim principalmente, muito hiperativo e traquinas, de ler dicionário, jornal e a Biblia. E era um ótimo contador de causos tambem, desses de juntar gente, de gente parar para ouvir, enquanto proseava após tocar toadas e baladas em seu acordeom vermelho. Quando até os passarinhos de Itararé pousavam para ouvir, e a rua descalça, cor de rosa, da periferia de Itararé, ficava lotada de gente... Escrita, história oral,  música, poesia. Minha infância, meu maior tesouro...

 

2-Que espaço os livros ocupam no seu dia-a-dia?A leitura de alguma forma, influência no seu trabalho e no seu quotidiano?

Leio demais. E leio de tudo. De vidas-livros a momentos e cinscunstancias, de sentimentos e silêncios pegajosos, de olhares a preludios, lágrimas e barulhanças. Gosto muito mais de ler do que de existir. Sempre li muito. Como uma leitura-fuga, devaneio, estado onírico. Leio vários livros ao mesmo tempo. Tenho uma memória fotográfica. Com isso, dei-me a escrever feito um condenado à vida. Gosto mais de escrever do que de respirar. Cedo, aos 16 anos, em 1968, escrevia para o jornal O GUARANI, de minha aldeia-mãe. Ler esteve na minha vida como um prazer, um deleite, um luzeiro, e tudo o que li me influenciou, me fez ser o que sou, no lustral me fez vencer na vida, me fez ser um humanista de resultados, pontuou minha vida-livro, minha alma aberta, meus sonhos em busca de uma Terra do Nunca, uma Shangri-lá, uma Pasárgada, atrás de justiça, de amor, depois nos estudos e no trabalho, caminho para ser, pensar, sentir, lutar contra muros e contra a hipocrisia social, a favor dos despossuidos, atrás talvez, da minha estrada de tijolos amarelos...

 

3-O escritor peruano Mario Vargas Llosa certa vez disse o seguinte "a minha passagem pelo jornalismo foi fundamental como escritor”

Como cedo escrevia para os jornais, de humor a crônica, comecei a fazer de tudo no jornal, e foi sim, uma escola, mas sob uma ótica diferente do Vargas, sendo eu de origem pobre, fui sondando as suspeitas riquezas injustas, os sórdidos lucros impunes, sempre lutei, estudei e trabalhei muito, querendo deixar de ser pobre, fazer parte da dita sociedade, mas quando mais chegava perto e sondava a sociedade, no pântano da condição humana, comecei a ficar com medo de parecer com aquilo que, em mais de cinquenta por cento eram os ricos, a elite, a classe dominante, os donos, ladrões, jagunços e bandidos ou descendentes deles. E então compreendi a verdadeira propriedade-roubo, máfias e quadrilhas, injustiças sociais... e tornei-me um gauche na vida, ao contrário de Vargas que se prostituiu e aderiu ao neoliberaismo das privatizações-roubos, do neoescravismo da terceirização, e virou um orangotango deles muito mais por fazer farte da banda podre dos podres poderes, do que por ser ético... visionário, sonhador, plantador de sonhos nos canteiros da razão, enquanto eu, humanista, olhar acima e sobre todas as coisas, tenho outro prisma, dores vivenciadas, quando ele, desde a América Cloaca à qual reverenciou e serviu de marionete, e esqueceu a pobreza de seu tempo, o historial da banda pobre da América pobre, roubada, saqueda, pelas colonizações de muito ouro e pouco pão. Ao final da carreira, decrépito, para isso Vargas serviu, então, perdeu o senso do ridículo... O Nobel lhe caiu com o sangue dos descamisados... os históricos excluidos sociais que ele rejeitou...

Como porta-voz da sociedade você percebe na literatura ou no jornalismo uma função definida ou mesmo pràctica?

Falando sério, acho que a função da literatura propriamente dita, acaba não tendo uma função que seja tão de fundamentação social por ela mesma, quando cada ego criador depois que se encarcera na redoma do “achar que é o que não é”, ou do tipo “pensa que pensa”, dilui muito aquilo que Rimbaud falou do artista, do criador ser uma real antena de seu tempo, de sua época, de seu meio, de seu núcleo, lutando contra as misérias do cotidiano, pois acabam em antros, máfias e quadrilhas, e toda a loucura, horror, medo, consciência historial pró fracos e oprimidos; acaba por discutir o proprio umbigo, e o que deveria ser porta-voz da sociedade, em tese, pelo menos, acaba num antro, como toda grande midia o é, em todo lugar do mundo, por isso prefiro o poeta carranca  marginal, tachado que sou, por exemplo, de neomaldito da web, do que arrotar grandezas pifias, infovias efêmeras e reproduzir o porco sistema que faz com que o verdadeiro artista, jornalista e poeta, seja uma espécie assim de um alienado por suportar a dor de existir, de ter que sobreviver pela causa da maioria, enquanto a minoria pilha, prostituti, se vende, com suas posses à custa de exploração, de sangue, de fome gerando lucro... miseráveis à mingua...

 

4-Quais são os autores imprecindiveis nas suas leituras como escritor e leitor?e quais nuncam o abandonam?

Cresci lendo Érico Verissimo, todos os poetas de então, e a historicidade temporal de cada um deles, descobri depois o Drumond e me encantei, claro, adoro Graciliano, Guimarães, Machado de Assis, Clarice Lispector, Hilda Hist, e fora do Brasil, Pessoa, Saramago, Bertod Brecht, Maiaskovski, Neruda, Whitman, Lorca, Tolstói, Dostoievski,  entre tantos. Li os melhores do mundo muito cedo. Vim, pela vida, lendo os clássicos, os melhores. Com todos aprendi. De tudo aprendi o olhar sobre os miseráveis, a sentir a dor dos outros, depois entrei pelo surrealismo, realismo fantástico, e estou nessa lida de dar eu mesmo o meu proprio quinhão criacional, meu testemunho de dor e de arrebentações e perguntamentos, estando hoje, por exemplo, em mais de 500 links de sites, oito livros, alguns prêmios, algums processos sofridos por atacar os podres de São Paulo e do Brasil da extrema-direita (hoje a pior oposição da história da república), constando em mais de 100 antologias literárias em prosa e verso, inclusive no exterior.

 

5-Neste mundo cada vez mais globalizado, tão afeito ao imagético, com um nível elevado de analfabetismo, e atrasado culturalmente.

a)     O que te leva a dedicar-se a arte de escrever numa era onde ler um livro não é a palavra de ordem?

 

Nunca tive o LER como uma paavra de ordem, sempre pensei a banda podre do poder como uma impunidade generalizada, como em Samparaguai, e tendo feito um e-book de sucesso (que depois virou tese de mestrado e doutorado em Universidades), o RINOCERONTE DE CLARICE, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, acabei entrando pelas portas do fundo da modernidade digital, e já fui fundo criando esse livro que foi sucesso inclusive na midia televisiva do Brasil, onze contos fantásticos, cada conto com três finais, um final feliz, um final de tragédia, e um terceiro final politicamente incorreto, de vanguarda, único no gênero... trabalhando a minha literatura louca pelos meios modernos, sem fugir do canteiro das palavras, tentando unir o moderno ao meu lado sentidor, pensador... questionador de tudo...

 

6-O escritor angolano José Agualusa disse certa vez que "o escritor  africano deve sair do gheto”, sendo o escritor a voz dos que não tem voz, a sua intervenção social não só deve cingir-se a escrita num país com baixos niveis de leitura, o escritor deve se expor na sociedade, comunga da mesma ideia?o ser escritor compensa?e qual é o papel do escritor?

Sou um poeta e ficcionista, ainda que premiado em prêmios de renome e estando em mais de 500 sites, de ter estado na midia impressa e televisiva, de ter poema contestatório meu usado em Vestibular como na Universidade do Estado de São Paulo (UNESP), ainda assim sendo um ilustre descohecido, então acabei por fazer reportagens, resenhas criticas, ensaios, letras de rock, de blues e de MPB, numa variação que me inseriu aqui e ali em antologias, em palestras, debates, congressos, midias, de alguma maneira eu, assim, descendente de negro (de Angola) e indio tupi-guarani por parte de mãe, e judeu-português (da Ilha da madeira) por parte de ancestrais de meu pai, saindo de meu gueto pessoal, abrindo portas, dando testemunho de mim, gritando contra as misérias, as bombas da fome, do lixo, tentando sobreviver assim, sabendo que, sim, berrar é humano... Mas, não sei exatamente se SER ESCRITOR tem compensação, qual o papel do Escritor. O papel do escritor é não ter papel nenhum?

 

7-A língua nos une, mas continuamos muito distantes um do outro, em termos globais qual é o estado cliníco da literatura de expressão portuguêsa?e o que a literatura do seu país recebe dos outros quadrantes lusófonos, concretamente os africanos, refiro-me a literatura moçambicana, angolana, guineense, cabo-verdiana, e.t.c.

Estamos longe de Portugal, terra-mãe, mesmo que a lingua nos una, de costas para a hispanoamérica e tendo-a nos calcanhares, e perto do império da América Cloaca com suas viseiras e implicações do open-doping da midia atrelada de lá, como se ilhados de todas as formas, e por isso mesmo dopados de todas as formas, então tivemos historialmente influência da literatura portuguesa, claro, um pouco da francesa, pouca da loucura santa hispanoamericana, Borges, Cortázar, Neruda e outros, e muito do hitlerismo anglosaxônico com suas ocasionais qualidades mas olhares diferenciados de nossa própria realidade suja de sangue amerindio ou afronauta, então acabamos por criar nesse tabuleiro de vaidades, um mosaico dessas mixórdias todas, e, só mais recentemente, a literatura Africana aportou por aqui, e estamos de novo, principalmente com a ótima gestão da Era Lula, colocando os pés na América espanhola sem perder o medo de ser feliz, com os pés na áfrica da qual temos a mais rica e bela cultura, e eu, ainda, para variar, um afro-luso tupidavídico, vou lendo de tudo e de todos, apreeendendo para miscigenar ainda mais a minha loucura-lucidez no que crio, alma viajosa, almanau, tentando desse meu lado mestiço dar o meu depoimento, o meu testemunho, tipo, faz escuro mas eu canto, ou, o importante é que a emoção sobreviva, e também para não nos perdermos de nós, de nossas origens, de nossas raízes. O Brasil é sim, essa africalatina em pó, como bem cantou Caetano Veloso.  Mais: respeito muito minhas lágrimas...

 

8-Se em Moçambique, Angola, Cabo-Verde, São-Tomé, Timor Leste, e.t.c., o grande problema que cruza o caminho do escritor é encotrar uma Editora onde possa publicar o seu trabalho, e em seguida alguém que compre, e lê a mesma, creio que em Portugal e no Brasil acontece o inverso, a tanta facilidade de publicar, e com isso não corre-se o risco de ser ter muita obra imatura nas prateleiras?ou mesmo por parte dos escritores consagrados publicarem livros de auto ajuda?

Não se iluda, caro amigo, como nos lugares em que você citou, autores nomes, de qualidade, de alto gabarito e estilo, também no Brasil cheio de panelas para os chamados falsos novos, não é muito diferente, temos dificuldades em publicar pelas chamadas grandes editoras, somos pouco lidos pela maioria absoluta da população, o que aparece é a ponta de um e outro de qualidade, a maioria deles são ligados a panelas, antros e máfias dos mesmos, ligados à midia podre, ligados à sociedade de escrotos, têm seus amigos do alheio, então, há muita porcaria nas prateleiras, muita gente nova correndo atrás, há trabalhos mil vezes melhores ainda anônimos e inéditos do que aqueles que aparecem nos jornalões, porque fazem parte de antros, se prostituiram, se venderam mal e porcamente, e até mesmo os tais consagrados acabam por deixando de escrever sobre a dor real, sobre a sociedade-pântano, e acabam em livros de ajuda que mais ajudam as editoras e os autores do que prestam para alguma coisa ou têm qualar qualidade literária que seja...

9-Que obra de um escritor de qualquer quadrante do mundo que os moçambicanos deviam ler urgentemente?e como formar leitores?

Leio dos escritores famosos por força das circunstancias, a autores novos fora do eixo midiático, pesquiso na web, troco informações e obras com outros neomalidtos como  eu, recomendo a leitura de tudo e de  todos, bons e maus, consagrados e iniciantes, para cada um autor novo  ter o seu juizo de valor, segundo a sua linha, o seu gosto, o seu interesse de também fazer a sua parte, criando, denunciando, sendo um grito de horror contra esses tempos pós-modernos de muito ouro e pouco pão, de gueras mercantis, da decadência do sórdido império americano, em que potências emergentes açodam criadores insurgentes, e vamos regurgitando o escárnio, que é isso que vale a idéia, a criação, não deixarmos passar em brancas nuvens os podres podres, as privatarias (privatizações-roubos como em São Paulo), o proprio neoliberalismo-câncer que assola o mundo, e, ao final das utopias, com o capitalhordismo americanalhado também de fundo falso, falsa lei de oferta e procura, fraudes e subterrâneos de fraudes, devemos denunciar, cobrar um tribunal internacional para o escroto do Clã Bush, e darmos, nós os afrobrasilis, darmos o nosso brado retumbante contra o dezelo do chamado mundo moderno e da civilização européia que explorou a africa pobre que ainda agoniza, fazernos partes dos loucos que amam a louca vida, praticam o sentido ético-comununitáiro de um humanismo de resiultados, contra os podres poderes dos assassinos de terno, gravata, toga, farda, túnica e medalhas com estrelas de sangue, contra as máfias de banqueiros, os agiotas das moedas podres, os estados propositalmente falido em beneficiado do nojo privado. A luta é sempre. Criar é resistir. Viver não é fácil. Somos os que sabem a verdadeira história por trás da oficialidade dos picadeiros e redis? E quanto a formar leitores, continuarmos insistindo na descoberta do novo, do belo, do diferente, apreendendo ideias da net com nossas práticas, formando leitores a partir de novas implicações linguisticas a partir das falas da internet, porque estamos no olho do furacão e devemos tentar formar leitores quando nos mudaros de nós, entrarmos em twitter-poemas como eu faço, twitter-contos, blogues, sites, alucinações lítero-culturais  e todo esse mandacaru atônito.

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