Breves Apontamentos
de Rebites para Um Rascunho de Quase Resenha Cítrica:
Márcia Denser, Sangria
Desatada em Suas “Desestórias”
Rastilhos em Polvorosa em Apontamentos Para Desestórias
01.Tô na "leção!" da Márcia, PQP, que tornado de informações,
lucidezas, ela ferina, libertária, mordaz, alucilímpida; um livraço, vale
quando pesa, quem não ler é desconectado do que realmente se passa nos bastidores
dos totens, antros, subterrâneos de pompas, o raio que o parta. Aliás, o livro
é um raio abrindo memórias ressentidas, ressecadas, vc acaba por rever-se no
aparelhamento da história como um coice, uma aula, uma lição, um verdadeiro
mapa mundi de sepulturas malcaiadas, e tem que ler bebendo - para não acabar
numa roleta russa de remorso e estupidez...
02.Que loucura o livraço da Márcia, tá tudo ali, um ensaio sobre
terremotos; o olhar ferino- mordaz extremamente lúcido dela, libertária, porra
louca, em lições de brasis e mundis, aulas sobre tudo, repassando histórias,
falsidades, insurreições, um livro-aula-campi, quem não ler nem se sentirá na
sobrevivencialização... Tô relendo e anotando, PQP, tb tô anotando me sub/vertendo
comentários, porradas, vai ficar uma zona, mas vou indo, que mente vodkiana,
hein? Temos que ser resgatados do inferno da mesmice, do achismo, do ódio
customizado com rúculas de aberrações, bizarrices e toxinas?
Começo:
“Eu me interesso pela linguagem porque ela me fere ou me seduz”.
(Roland Barthes)
-DESESTÓRIAS DE MÁRCIA DENSER – Márcia Escorraçai por Nós
Somos todos discípulos do ridículo, somos todos apóstolos do caos, pobres
tantãs entre embrutecimentos de comodismos? Parceiros em potencial de analfas,
reaças, amebas, consumistas, nessa ridícula e cotidiana rotina pica-couve do
raio que o parta a fórceps? Henry Muller, tenha piedade de nós. Irreverente, a
escritora/romancista La Denser, o tango fantasma dela metamorfoseando em
nosotros caras pálidas seus ledores-camaleões-chacais, numa terra em transe?
Ave Césio. Os que vão subviver são uvas verdes no rede-moinho das aparências
hostis. Uma refugiada ou uma desertora, a autora-escritora ela mesma
esturricada de contemplações ferinas? Ah, escorraçai por nós. Nós? -Núcleo de
Otários Subordinados. Nesses tempos tenebrosos (Brecht), deveríamos todos
errantes ser vacinados contra raiva desde o ventre. O escuro é nosso e ninguém
taxa. Eis a nossa cota de trevas. Coxinhas,
grávidas e black bloc primeiro; La Denser tirou o medo-rabo do pedestal do
lepo-lepo em DESESTÓRIAS, ou não-histórias, crônicas, artigos, opiniões,
ensaios, tudo numa leva do bem bolado e bem sacado no estertor. Ah a
indignação pondo mais do que
história-remorso. Só mesmo se inventariando do que se enlivra e regurgita seus
vagidos narrativos, feito orgasmos múltiplos de doses duplas de realidade e
soterramento para o éter-na-mente. Saravá “gentehumana”... “É nós” nas tretas. O erótico virou pinóquio
de chuchu com supositório de comodismo do mínimo impuro, do laquê de impunidade
na opus dei da rapaziada, tudo dentro do campo da impune mediocridade-leviatã.
É o “anacronismo” de La Denser salpicando de querelas as brutezas da vida. A
saci-Denser capitulando em livros suas epístolas, bravatas e panurgismos. Debaixo
do tapete infame das etiquetas há muito lixo e talvez até haja mais vidas do que
no sofá com vaginas e estercos de sacos roxos com oxiurose. Pois ela discorre brava/mente
sobre FHC, blogs, lobbys, 11 de setembro, Tea-Party, Bush e Sherazade. Acredite
se quiser. Eu não teria coragem de escrever sobre a Marcia Denser a palo seco,
e, falando sério, o selfie pode esperar. Ela é o prego enferrujado do faquir
nas etiquetas do deleite derramado. Nas barricadas dos bares da vida ela foi
“contracorrentes" (Ítalo Moricone) e nessa contracorrente deixa sua página
de sangrias desatadas a evocar por nós, nas labaredas das loucurezas, honrando
as calças. Estradas e bandeiras? Abre-se o livro e começa a expectativa já que
o estado gozoso tb é lê-la e assim tomar sentido das bandas podres dos curtumes
e fermentos dos ciclos historiais minados, e nas catanças de escrevinhares jorram
as escrevivências dela, que bota fogo na canjica e relampeja em prismas
fumegantes essa sua selvagem/realista literapura.
Ah a banda dos contentes (como diria o filósofo Erasmo Carlos), ela
salta o surto com limpidez extraordinária. Alma gêmea? Algemas. O tesão de
escrever sola pelos cotovelos e dispara cogumelos-torpedos de enredos ferozes.
Transgredir é preciso. Nesse mondo-saigon (em que a terceira guerra mundial já
começou e não fomos avisados), Márcia Denser incorpora a alma libertária-femina
e escarra na grã-ralé, na grã-finagem-lesma, entre tantos parasitas e
mochileiros sem galáxias ostentando o nada e o ninguém, mas ela sucumbe,
soçobra no mar de sargaços destilando falatório, palavrórios e outras
lucidezas.
Gente é para morrer de fome, contrariando o dizer do Veloso Caetano,
isso é o que se lê nas entrelinhas da mundialização de mediocridade
universalizada do livro, um clássico. Desestórias é isso; puro sangue - literalmente
um pé no sacro das grifes, na patuleia desequilibrada das raves pro açougue das
almas, e dos sais nodosos que não tiram a epiderme-cela de cada um. Ah a craca
do ego doentio da “sifilização” fazendo pilates para morrer sem sair do lugar
que está e é. Juntos somos cavalos? A massa podre desgovernada pela mídia-ração
grita: fora cérebro. Mas o aço da palavra da Denser respira pelos gumes das
navalhas na carne. Vc só a lê se inteirando se estiver muito bem desperto. Ela
flui a narrativa e evoca a literata-libertinagem da verdade que dói mas vc não
quer acreditar. Numa sociedade de estercos que sofre o open-doping da mídia-abutre,
ela dá seu testemunho de saber lidar com suas estocadas antropogênicas. Que
porra é essa?
Ela é toda adrenalina nos passando o que corrói o olhar, o enfoque, a
evocação da escrita-salitre. Dá seus cortes, pincela, feito seu testemunho de
presença nessa terra cobaia de deuses e pagãos. Criares diferenciados. As
máscaras do capital, da política, do NEOLIBERALISMO-câncer, ela tira repentes
de teatros figurativos, engessa a imagem e diz: isso não é bem isso. Retrata
abismos temporais datados. Ah o cinismo de uma sociedade pústula e seu mundinho
de siricoticos com rivotril e ansiolítico e cocaina. Que pocilga é a vida? Tudo
cheirando a goma-lacta, creolina, oxxi, crack, e ainda os que vão todo ano num
crime lesa-fisco comprar fantasias de Patetas na Disneylândia, sem saber um
nada do que rola por trás, no entredentes, nos bastidores, ela mesmo escrevendo
como se com uma faca entredentes. Evoé, Baco. Ah os desvãos da alma do
lucro-fóssil, a vaca profana dos podres poderes, num mundo com regras pétreas de imbecilidade,
em que ela se exila na escrita como pode... Sorte nossa.
Senhoras e senhores, o circo tá armado e Márcia Denser é um perigo: ela
pensa. Mais, ela cria, pior, ela salga essa sodomogomorra que é a vida.
Subversiva, intolerante, granada sem pino, fio descascado. Sua açodada visão
estrebucha o que tem verniz adulterado, criticando os puteiros do sistema.
Desde o capitalhordismo americanalhado, às instituições de fachadas do crime
organizado, falsas ofertas e procuras, falso mercado, não obedece, logo, cria.
Talvez, afinal, uma revelação dessa fossa borralheira que é a vidamorte sempre
a lhe atiçar os ânimos e os olhos, e talvez ainda ela seja de uma forma ou de
outra a nossa trombeta de Arendt
tupiniquim. Extraterrestres venceremos? Estamos fudidos e mal pagos. Deixem-na
sangrar pra nós, por avessos virais, em seus livros/livrações. Vinhetas, pertencimentos, perguntações,
mulherices, gordices, reflexões criticas, calhordices, detonando o indecente
com fachada, pontuando pautas do arco da velha, contra siglas, antros de
escorpiões, vertentes de chorumes existenciais... Diz do homem otarius, da
consciência perversa, de amnésia histórica, dos nomes do jogo, da vida besta. Ah DESESTÓRIAS é tudo isso em soma e sumo. Ela
vagamundeia o arbítrio, o cético, as ferrugens, num macadame de enxergar o
couro grosso da mentira, do embuste, do que contempla com filosofia toda
própria e argumentação textamental de fina estampa e grosso calibre, tudo junto
e misturado, isso mesmo, um mosaico do que é e não é. Ah, pergunta o leitor
atiçado, e o livro Desestórias propriamente dito? Pois é isso mesmo que a
teimar estou somando tudo para falar na “livra” que é aqui a enciclopédia
(livre) de La Denser. Ela é o livro. No livro ela destripa o mico das
inverdades, entre utopias e distopias conta ao seu modo especial, sarcástico,
bombástico, deixando o leitor numa zona de desconforto: como pude não pensar eu
tb sob essa ótica, ou sacar o indizível que ela na cara dura nomina, ou, pior,
muito pior, deixar que eu entenda que tolo e coxinha eu assinei achando que
sabia do riscado e a coisa está muito pior pra raça... Somos todos espíritos de
pornôs? Vai doer mais em quem ler? Porque não é aceitável assumirmos a
comodidade do inferno de nós. Pois esse é um livro que a gente sofre pra
caralho na leiturança e muito no final da leitura, como se de toda a existência
os acontecidos fossem gatos escalpados entupindo nossa visão com mentiras e
lambanças. O pavio curto dela mantém acesa a esperança de que, sim, o mundo
acabou, camaradas... A NUDEZ DO Brazyl S/A. A nova geopolítica manda. A nova
desordem econômica mundial grassa e detona. As honras são capachos. E tudo
cheirando a mofo e naftalina de togas, patentes, tungas, túnicas, igrejismos,
palácios, impérios, farsas e fardas. O lixo da história? Ela retrata, conta a
sua opinião crua. Diz das estratégias de manipulação da elite. Diz da arte do
equivoco, da ideologia do choque e do saque colonial... Privatização da
consciência? É com ela mesma. E vai fundo em heresias, rituais, tudo na sua
cara...
A crítica a consagra:
“Márcia Denser é densa, vivaça, ferro e foro nas etiquetas:
Suplementopeernambuco - #PernambucoLeu: "Marcia Denser é uma das
nossas vozes mais pungentes da literatura brasileira contemporânea. Para traçar
o que foi o Brasil nos estranhos anos da virada entre ditadura e abertura
política precisamos retornar à sua personagem mais famosa, Diana Marini - Diana
caçadora, publicitária, louca e perdida numa São Paulo cinzenta que era no
fundo todos nós. DesEstórias marca sua estreia no terreno da não-ficção,
reunindo observações sobre literatura, sobre o mundo lá fora e aqui dentro, não
deixando escapar nem um restaurante banal onde encontra os amigos, um ambiente
em que é "tudo baratíssimo, lembrando um mix de naufrágio com suicídio
empresarial no melhor estilo anos 50, uma vez que ainda sobrevive graças à
frequência de teatros off-Roosevelt - atores, dramaturgos, diretores, técnicos,
público, fãs de tudo isso retra e supra". E quando se olha no espelho não
se esquiva de sombras, como nesse trecho em que reflete sobre seu trabalho:
"isto não é autoficção, tampouco autonaufrágio, até porque escritor é
aquele nadador com várias medalhas olímpicas que, cada vez que chega à beira da
piscina, se dá conta que não sabe nadar, já o fez um dia, mas agora ele não
lembra, contudo mergulha mesmo assim, toca o fundo e milagrosamente consegue
emergir. Absolutamente só e ofegante, mas vivo, porra". E cada vez mais
viva!", por @schneidercarpe #instalivros #instabook #literatura
#leiamulheres #menos1naestante”
Rir aos quatros ventos. Ferir-se de ler. Ah essa cavalgadura do
achismo. Os asnóias precisam de belzeboys e belzebundas para terem altar. Mais
médicos? Não, mais médicis... A seco ninguém segura esse rojão, muito bem
cantou Chico Buarque, deve ser isso porque a Márcia Denser escreve estopins. O cínico
está pegando fogo? Saques o celular. Ah o selvagem coração da divida social dos
infelizes miseráveis do progresso sem consciência, em arremedos de fés quase isso
mesmo, fezes. E o endividamento moral coletivo? Ah o carnegão da pose. Macacos
nos moldam. “Num mundo totalmente globalizado e informatizado, tornou-se
impossível ocultar a realidade sob o manto da ideologia”(PG. 279/Desestórias). E
descreve sobre Flips, Ongs, Haiti, Delivery, Favela, Jogos, Sacis, Erotismo,
preconceito, Feminismo, lobotomia, DogVille, Paulistices, Vinis, Gordier,
Bachianas, sítios, rituais, estágios, afins e pertencimentos pertinentes. Sempre
com filosofia/sabedoria/acidez narrativa fora de série e as vezes irônica e
mesmo muito fora do sério, que nem tudo que reluz é fêmea. Ela faz chover no
piquenique das ideias, mostra reinados nus, e saltita aqui e ali sobre a
sociedade-cadáver. Gotham City só existe no gibi? Leiam aos poucos. Leiam
bebendo doses homeopáticas de vodka russa pura. Vai ser um porre, PQP, as
toupeiras vão botar as panelas no vaso sanitário. As hienas vão entrar numa TPM
temporã. Ah o conservadorismo e suas pataquadas amorais. Ela traz imagens do
pântano, diz de núcleos de abandonos de todos os tipos, conta das tripas
sociais (mídia), e expõe disso tudo cicatrizes e sequelas. Você abre em qualquer pg e lá viça a contação
raçuda e logo se sente (está) no finca-pé dessa deriva ao notório como é e vc
nem sacava que era. Toma um porre de informações e se assusta. Ela dita o
ritmo, dela. Como não saquei isso à época? Se eu contar, vcs não vão acreditar.
Leiam a obra. Ah a sabedoria pansexual dessas mulheres que tanto sacam que
acabam a mosca na sopa das breguices e achadouros disformes do real. Enquanto o
meio desinforma, ela desenforma tudo e revela-se: tá na área é grilo
esclarecido. Fica entre uma inventariante de remorsos, de tropeços, de
relicários e perdulários. Com seu
software todo peculiar, um imaginário e um conhecimento superior, MARCIA DENSER
deixa com esse livro sua marca indelével de uma puta escritora, nessa
obra-master em que se afirma nela e nos confirma MÁRCIA DENSER como uma
literata monstro.
Querem saber? Leiam o livro.
Depois não digam que eu não disse. Márcia Denser, Escorraçai por nós...
-0-
Autor entre outros de GUTE GUTE, Barriga Experimental de Repertório,
Editora Autografia, RJ, 2015.
-0-
BOX
Livro DESESTÓRIAS, Crônicas e Relatos
Editora Kotter Editorial

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